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GRITO

Muita imagem, quanta imagem. Perco a margem e meu olhar cansa. Só o que é essencial descansa. Em algum lugar esquecido, perdido. No silêncio que tudo diz.


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RIO DA INFÂNCIA

hoje andei no rio 
da minha infância
onde era água 
agora dói pedra
onde sobrava correnteza
sopra o ar
o peixe não pula, não
nada
vida passada
ser tão

hoje cruzei o impossível
o chão antes invisível
avancei na seca bruta
idade adulta
à espera de um pingo de chuva
que faça desaguar
o mar 
que guardo em mim


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FOZ DA VOZ

navegar em horas lentas
águas bentas
flutuar acima das copas das árvores
verdes mares, terras distantes
gigantes
 
rio afora
o coração aflora
dispara, não para
de vagar 

inundar o caminho
até reencontrar o velho ninho
sabiá saberá ser como o passarinho
que descobriu na foz a própria voz
o canto do seu lugar


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REINÍCIO

quando o fim chegar
descongele o olhar
quando o teto desabar
experimente caminhar
quando as paredes caírem no chão
siga o coração
não há passado sem história
memória, dor e glória

mas sim
haverá um novo início
no espelho, no passo,
no pulso, no vício 
da vida que teima em levantar
e a todos se entregar 
sem explicação


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AMANHECER

dom quando Tom

bela quando Ella

doce quando Nara

Barroso quando Brasil em aquarela

amor quando Vinicius

poesia quando Chico

baby quando Gal

balanço quando Wilson Simonal

louvação quando Gilberto

mágica é Egberto

fogo quando Elis

todo quando Caetano

Rita quando o rock não é americano

minas quando Miltom

silencio quando João

morro quando Cartola

nasço no ouço dentro de mim

sem fim, agora


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CARTA AO CAMINHO

muitos pés eu teria se
pudesse te bordar
caminho
quantos dedos caprichando traços?
costurando os passos do seu destino
 
muitas pernas eu teria se 
pudesse não te errar
caminho
saber fazê-lo com perfeição e linhas lançadas à sorte 
com botões fortes para te segurar
 
novos olhos eu teria se 
pudesse ver o seu futuro
fazer sol na escuridão 
amansar o vento
amassar o medo
lamar o seu sertão


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